
O governador do Amazonas, Eduardo Braga, empossou na quarta-feira, 05/03, os 12 conselheiros que integram a Fundação Amazonas Sustentável (FAS), instituição privada sem fins lucrativos com delegação para operar os direitos e serviços ambientais de 17 milhões de hectares de terras públicas do estado em unidades de conservação.
Após a posse, realizada, durante viagem de barco à comunidade de Jacarequara, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Uatumã, foi ministrada uma oficina para os beneficiários do programa Bolsa Floresta e os conselheiros da FAS.
O conselho tem formação plural representando a iniciativa privada, o poder público, o meio acadêmico e organizações sócio-ambientais. Os integrantes são: Márcio Cypriano, presidente do Banco Bradesco; Lírio Parisotto, presidente do Conselho de Administração da Videolar; Phelippe Daou, diretor-presidente da Rede Amazônica de Rádio e Televisão; Eduardo Braga, governador do Amazonas, Flávia Grosso, superintendente da Suframa; Denis Minev, secretário de Planejamento do Amazonas; Adlaberto Val, diretor do Inpa; Carlos Nobre, diretor do INPE; Jaques Marcovich, direto da USP; Manoel Cunha, presidente do Conselho Nacional de Seringueiros; Estevão Tucano, dirigente da Coordenação das Organizações Indígenas do Amazonas e Mario Mantovani, presidente do SOS Mata Atlântica.
O conselho da FAS tem poder autônomo para deliberar sobre as políticas a ser adotadas, a capacidade de investimento e as prioridades que a Fundação deverá exercer dentro das unidades de conservação que estão delegadas a ela. "Todos os projetos devem ser submetidos ao conselho que, por ter formação plural, irá discutir à exaustão as melhores atitudes a ser adotadas", disse Eduardo Braga.
O presidente da FAS, Luiz Fernando Furlan, afirma que em 90 dias começam a ser materializadas as ações da Fundação. "Estamos alugando um espaço para ser sede da Fundação em Manaus e começamos a montar equipe. Na primeira reunião ordinária do conselho discutimos as prioridades de ação e no começo de maio nosso time operacional estará pronto".
Integrante do conselho da Fundação, o presidente do Bradesco, Márcio Cypriano afirma que o banco doou R$ 20 milhões à FAS e lançará dois produtos que terão parte da renda revestida para a FAS. "Investiremos R$ 10 milhões ao ano durante cinco anos na Fundação", disse.
Os produtos são o cartão de crédito Amazonas Sustentável e fundos de capitalização. A meta do Bradesco é vender 50 mil unidades do cartão até o final de 2009. "O Bradesco tem compromisso com a responsabilidade social e por isso não poderíamos ficar fora desta iniciativa do Governo do Amazonas, que é importante e gerará resultados importantes", disse Cypriano.
Instituição privada
A Fundação Amazonas Sustentável é uma instituição privada sem fins lucrativos de interesse público, instituída em 2007, com o objetivo de implementar alguns componentes das políticas públicas estaduais de mudanças climáticas.
A FAS tem a delegação (recebida por meio de lei da Assembléia Legislativa do Estado) para operar os direitos e serviços ambientais de 17 milhões de hectares de terras públicas e florestas públicas do Estado em unidades de conservação.
A FAS terá recursos captados em função dos serviços ambientais para financiar o programa Bolsa Floresta e outros programas que possam garantir o desenvolvimento sustentável dentro das unidades de conservação e nas áreas em volta dessas unidades.
Como uma instituição independente, a FAS não está vulnerável às mudanças políticas, o que trás confiabilidade aos parceiros que procuram baixo risco e alta credibilidade.
Os recursos são oriundos de doações e da venda de serviços ambientais. Os fundos são investidos em programas operacionais focados nas atividades que ajudam na prevenção do desmatamento, erradicação da pobreza e promoção do desenvolvimento sustentável.
Bolsa Floresta
É um programa da Fundação Amazonas Sustentável em parceria com o Governo do Amazonas para reconhecer, valorizar e compensar as populações tradicionais e indígenas do Estado pelo seu papel na conservação das florestas, rios, lagos e igarapés.
É o primeiro programa brasileiro de pagamento de serviços ambientais feito diretamente para as comunidades que residem nas florestas do Estado tendo como principal objetivo a redução das emissões por desmatamento.
Numa primeira fase o Bolsa Floresta será repassado para moradores das Unidades de Conservação do Amazonas. Em uma segunda etapa serão beneficiados os moradores de outras áreas. O programa está implementado em seis unidades de conservação do Estado e 2.027 famílias estão cadastradas no programa.
A previsão é de que o Bolsa Floresta atinja cerca de 4 mil famílias em 2008.