Ação conjunta desarticula grupo criminoso responsável por desmatamento ilegal na RDS Rio Negro

Foto: Maycon Castro/Sema
Foto: Maycon Castro/Sema

Uma operação conjunta de órgãos ambientais do Amazonas desarticulou, nesta semana, um grupo criminoso que atuava em ações de desmatamento ilegal dentro da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Rio Negro, que abrange os municípios de Manacapuru, Iranduba e Novo Airão, na Região Metropolitana de Manaus (RMM). A RDS é uma das 42 Unidades de Conservação (UC) do Estado gerenciadas pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema).

 A ação ocorreu de maneira integrada entre a Sema, a Delegacia Especializada em Crimes contra o Meio Ambiente e Urbanismos (DEMA), Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), Batalhão de Policiamento Ambiental (BPAMB) e o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam). O objetivo é repreender as ações criminosas de desmatamento e queimadas não autorizadas dentro dos territórios de UC.

 A operação foi deflagrada na quarta-feira (20) e teve fim nesta sexta-feira (22). A articulação entre as instituições foi iniciada após diversos moradores da RDS relatarem a saída constante de caminhões carregados de madeira de dentro da área protegida, segundo explica o coordenador de gestão de Unidades de Conservação da Sema, Rogério Bessa.

“Muitos moradores procuraram os gestores das Unidades de Conservação vinculados à Sema para relatar ilícitos no Ramal do Mineiro, Ramal Uga Uga e em outros na Estrada de Novo Airão, nesse período da pandemia. Rapidamente foram acionados a polícia e os órgãos de fiscalização ambiental para verificar as informações e resolvermos esse problema”, disse.

 Na rodovia AM-352, quilômetro 19, as equipes encontraram um acampamento, que servia de base para as ações criminosas no entorno. Extensos ramais foram abertos na área para a exploração ilegal de madeira, que era feita principalmente por meio de cortes seletivos de árvores para dificultar a identificação do crime por drones ou imagens de satélite.

 “Durante as incursões na reserva, foi identificada uma grande área devastada. No local, a equipe conseguiu prender em flagrante três serradores no meio da floresta e apreendeu motosserras e instrumentos utilizados na prática do desmatamento. As investigações vão continuar para que sejam identificados e punidos todos os responsáveis pelos crimes ambientais, bem como será feita a avaliação da extensão do dano ambiental na reserva”, disse a delegada titular da Dema, Carla Biaggi.

Nenhum dos homens possuía documentos de posse da área ou autorização para supressão vegetal. Eles foram encaminhados para a Delegacia Interativa de Manacapuru, onde foram autuados em flagrante por crime ambiental.

A integração dos órgãos na operação faz parte do plano operativo de combate ao desmatamento e queimadas, coordenado pelo Sistema Estadual de Meio Ambiente, para repreender e investigar denúncias de crimes ambientais.

 Emergência Ambiental - Nesta quinta-feira (21/05), o governador Wilson Lima decretou situação de emergência ambiental na Região Metropolitana de Manaus e nos municípios da região sul do Amazonas, pelo prazo de 180 dias, visando intensificar o combate ao desmatamento ilegal, às queimadas não autorizadas e outros crimes correlatos.a

Com o decreto, o Estado antecipa o seu plano operativo de enfrentamento aos incêndios florestais, que tendem a aumentar no período de estiagem. O governo anunciou ainda a adesão do Estado à ação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), na Amazônia Legal, determinada pelo Governo Federal no início do mês.