Programas de Iniciação Científica fortalecem pesquisas no Amazonas

A 2ª edição do Congresso de Iniciação Científica da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Veira Dourado (FMT/HVD), realizada nos dias 30 e 31 de julho, abriu espaço para discussões sobre a importância do tema como alavanca da pesquisa nas instituições e do atual cenário no Amazonas.

O coordenador de pesquisa da Pró-Reitoria de Pós- Graduação da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Jair Fortunato Maia, destacou que a universidade é o espaço nato para o desenvolvimento da pesquisa. “A pesquisa na graduação é um espaço de formação e a universidade é esse espaço nato, pois a pesquisa é função básica de qualquer professor. É na graduação que podem ser encontrados futuros talentos para a pesquisa. Se o pesquisador e/ou professor não se envolve, dificilmente terá bons orientandos na pós-graduação”, disse Maia.

Ele destacou que os alunos de Iniciação Científica podem ser um excelente termômetro de qualidade dos cursos de graduação, dos professores e dos programas de iniciação científica. “O desafio do Brasil para os próximos anos está em estabelecer mecanismos capazes de gerar esses indicadores de qualidade”, afirmou.

Já a coordenadora de Biodiversidade do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Ires Paula Miranda, apresentou a evolução das pesquisas de iniciação científica na instituição. “O Inpa desenvolve iniciação científica há 22 anos. No primeiro ano, em 1990, eram somente 14 bolsas. Atualmente, temos 266 bolsas oriundas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e temos 14 instituições públicas e privadas como parcerias”, pontuou Miranda.

Investimentos – O estado, por meio Fapeam, tem ampliado os investimentos na pesquisa durante a graduação. Nos últimos nove anos, até 2011, foram financiados mais de oito mil bolsas de iniciação científica com o Programa de Apoio à Iniciação Científica (Paic), partindo de 260 bolsas em 2003 para 1027 em 2010. “O CNPq, ao contrário da Fapeam, estagnou a oferta de bolsas de iniciação científica, enquanto a demanda é crescente no País”, avaliou Maia.

Na Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Veira Dourado, por exemplo, foram concedidas nos últimos dois anos (2010/2011) cerca de 109 bolsas. De acordo com a coordenadora do Paic Tropical e chefe do departamento de pesquisa da FMT-HDV, Maria Paula Mourão, a instituição tem um programa de iniciação científica há 12 anos, sendo que ele é financiado exclusivamente pela Fapeam desde 2004.

“Já passaram pelo Programa Paic Tropical cerca de 300 bolsistas de instituições de ensino superior. São desenvolvidos trabalhos na área de Saúde, como medicina, enfermagem, farmácia e odontologia, e de Ciências Biológicas, nos cursos de biomedicina e biologia”, disse Mourão.

Premiação – Ao todo, 46 trabalhos de pesquisa realizados por acadêmicos de diversas instituições de graduação voltados para os temas de malária, leishmaniose, DST/AIDS, parasitologia e outros assuntos referentes a doenças tropicais e infectoparasitárias foram apresentados na segunda edição do Congresso de Iniciação Científica da FMT/HVD.

Durante o encerramento, foi realizada a premiação dos melhores trabalhos de pesquisa, como estratégia adicional de motivar os estudantes. Os vencedores vão ganhar passagens aéreas para o Rio de Janeiro e o custeio das inscrições para participar do 18º Congresso Internacional de Medicina Tropical & Malária, no Rio de Janeiro, que ocorre em setembro.