1º Encontro de Negócios sobre Resíduos de Pescado encerra com indicativo de lei
A iniciativa inédita da realização do 1º Encontro de Negócios sobre Resíduos Orgânicos de Pescado, Feiras e Mercados encerrou nesta sexta-feira, dia 3 de maio, após dois dias, com muitas sugestões para a formulação de um indicativo de lei que defina as diretrizes nesse sentido. Uma comissão multi-institucional foi formada para relatar o documento.
Por sugestão do presidente do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Antônio Ademir Stroski, foi formada uma comissão para relatar o documento final, com seis participantes do evento, sendo um representante do próprio Ipaam, um da Agência de Desenvolvimento Sustentável (ADS), um da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), um da Secretaria Estadual de Pesca e Aquicultura (Sepe) e dois empresários do setor.
“A primeira reunião será no dia 9 de junho, a partir de 9h, no centro de treinamento do Ipaam. Até lá outras sugestões podem ser enviadas para o e-mail da Gerência de Pesca do Ipaam (gecp@ipaam.am.gov.br). Queremos estar com o documento pronto até o dia 13 de junho porque não podemos perder o calor dessa discussão”, explicou Stroski.
Para o presidente da ADS, Valdelino Cavalcante, “não podemos perder a oportunidade de dar esse encaminhamento legal e de considerar a possibilidade de negócios gerados no evento, como o interesse de empresários locais de trabalhar com toda essa experiência do adubo orgânico e mineral e também o interesse da Ecological de Pernambuco de adquirir aqui a pele de peixe para seus produtos (moda e acessórios)”.
O 1º Encontro de Negócios foi proposto pelo Ipaam e realizado nos dias 2 e 3 de junho, no auditório da Afeam, com a parceria da ADS e Agência de Fomento do Amazonas (Afeam), como um dos itens da semana do meio ambiente 2011. O evento também recebeu o apoio da Secretaria de Pesca e Aquicultura da Sepror/AM, Fucapi e DF Coelho.
O objetivo do evento, segundo o presidente do Ipaam, foi o de reunir aqueles que geram os resíduos e querem dar uma destinação correta a eles com os que podem usá-los como matéria-prima para a produção de insumos ou outros produtos comercializáveis. A preocupação do órgão é com o aumento de resíduos gerados por essas atividades, hoje jogados nos rios e terrenos, poluindo o meio ambiente, e que podem ser matéria prima para fomentar a economia principalmente no interior do Estado.
O segundo dia do evento teve como palestrante o diretor–presidente da Afeam, Pedro Geraldo Raimundo Falabella, para falar sobre as linhas de crédito nas atividades de aproveitamento de resíduos orgânicos. “A Afeam financia qualquer atividade desde que esta seja legal. A Agência tem R$ 1milhão para financiar a ideia criativa dos senhores sobre este assunto aqui tratado’’, contou Falabella.
No prosseguimento, o doutor Nilson Luiz Aguiar Carvalho, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), apresentou a pesquisa sobre o couro de peixe, fruto de 16 anos de trabalho. ’’A importância de aproveitar o resíduo de pescado é justamente pelo volume alarmante de peixe, 30 toneladas, que vai para o lixo. A escama, por sua vez, tem potencial econômico justamente por ser exótica’’, comentou o pesquisador.
Para a acadêmica do curso de Química da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) em Parintins, Semira Souza, as palestras fortaleceram sua pretensão profissional. Ela sentiu-se atraída pelo tema justamente por fazer parte da sua realidade. ’’Parintins vive a situação crítica dos lixões. Estou aqui capturando informações que irei compartilhar na Universidade para debatemos sobre o assunto e assim contribuir com o nosso município’’, comentou a acadêmica, acrescentando que desenvolve uma pesquisa sobre proteínas e por meio das palestras percebeu que o resíduo orgânico do pescado é uma fonte rica de proteína se transformado em ração’’.
Empreendedores – O empresário Ulisses Girardi, que atua no mercado com uma empresa de fertilizantes orgânicos sediada em Mogi Mirim (SP), veio para o 1º Encontro de Negócios como incentivador. Ele ressaltou a importância de conhecer o produto que se quer por no mercado. “A princípio, deve-se conhecer o público e ver se o produto tem potencial econômico. Tenho como filosofia que neste segmento precisamos transformar nossas mentes para que os rejeitos não sejam vistos como lixo, mas como matérias-primas para a produção de produtos sustentáveis”, ponderou o empresário.
De acordo com José Carlos, empreendedor no ramo de processamento da pele de peixe em Pernambuco, deve ser feita uma pesquisa de mercado. “Não adianta pensar em produzir sem ter mercado. A atividade deve ser planejada e ter um diferencial e acima de tudo ter responsabilidade ambiental”, afirmou.
Esteve presente no auditório, o servidor público e acadêmico de Ciências Sociais da Ulbra, Rui Lima, que defende o tema resíduo sólidos no trabalho de conclusão de curso (TCC). Ele acredita que a lição começa em casa. “Vejo o problema do despejo do resíduo sólido como um problema da sociedade. Os cidadãos devem se conscientizar do uso dos resíduos de forma sustentável, como a prática da separação do lixo doméstico, distinguindo o que é matéria prima ali. Espero que essa questão seja levada a sério, inclusive na legislação”, finaliza.


