Governador acompanha trabalhos de fundação da ponte no meio do rio Negro

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O governador do Amazonas, Eduardo Braga, acompanhou na manhã da sexta-feira,  04/07, o início dos trabalhos para fincar no meio do rio Negro as primeiras estacas que vão dar sustentação ao vão central da ponte que vai ligar Manaus a Iranduba e deverá estar concluída em dezembro de 2009 ou início de 2010. A obra é considerada uma das mais importantes em execução no Estado, porque  simboliza a preparação do Amazonas para o futuro. Com seus 3,5 quilômetros de extensão, a ponte vai possibilitar a integração com os municípios vizinhos a capital e efetivo fortalecimento das suas economias, porque facilitará o acesso ao principal mercado consumidor, que é Manaus.

Marco histórico

O processo marca o início das obras dentro do rio, que começa por meio da cravação, no leito do rio, de tubos camisa metálicos de grande diâmetro, com 52 metros de comprimento e cerca de 45 toneladas de peso. Esses tubos são movimentados por um guindaste com capacidade de carga de 300 toneladas, posicionado sobre um flutuante de grande porte de dimensões 18,50 x 80 metros.

"Este é um passo importante, fundamental da obra, e um momento histórico para o Amazonas. É o início da realização de um sonho", afirmou o governador.

Os tubos irão penetrar cerca de dez metros no terreno, abaixo do leito do rio. Na seqüência, será realizada a escavação por dentro dessas camisas metálicas até uma profundidade de 30 metros abaixo de suas pontas inferiores cravadas e colocadas as armaduras para, então, ser feita a concretagem. As estacas suportarão cargas de até 2.000 toneladas, oriundas da estrutura da  ponte e das cargas de tráfego.

"Estamos usando a tecnologia mais avançada atualmente na construção de pontes em todo o mundo. E diariamente temos vencido desafios, inclusive naturais. O rio Negro no subsolo é errático e as águas apresentam diferença de velocidade da correnteza em vários pontos", disse Eduardo Braga, lembrando que vão ser cravadas mais 35 estacas, que servirão de apoio ao eixo central da ponte.
 
Tecnologia

Os primeiros trabalhos de sondagens no rio Negro revelaram a necessidade de utilização de equipamentos especiais para a execução da obra, devido às peculiaridades da região Amazônica. Algumas das dificuldades citadas pelos engenheiros do Consórcio Rio Negro são as grandes lâminas d’água, a forte correnteza e profundidades que chegam a 70 metros, onde serão executadas as estacas das fundações da obra.

Foram necessários buscar equipamentos da região Sudeste, entre eles guindastes especiais para movimentar as "camisas metálicas" com diâmetro de até dois metros e meio que, de acordo com o engenheiro Oscar Brun, do Consórcio Rio Negro (Camargo Corrêa-Construbase), por não ser um tipo de fundação usual requer apoio especial como balsas e rebocadores de grande porte,  para realizar os trabalhos no leito do rio.

Os engenheiros do Consórcio observam que a construção da ponte sobre o rio Negro representa um desafio. Por isso foram contratados consultores de renomes nacionais e internacionais para ajudar na elaboração do projeto executivo da obra.
 
Desapropriação

Por se tratar de uma obra de grandes dimensões foi preciso licença para a sua construção, já concedida pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM), após a apresentação de dois documentos: o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (Rima), produzidos entre julho e outubro de 2007, por pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (UFAM).

O projeto da ponte sobre o rio Negro prevê a instalação de vias de acesso e a modificação do traçado atual de vias de Manaus, o que vai gerar remanejamentos. Dados s da Superintendência Estadual de Habitação (Suhab) atestam que até o momento foram retiradas e indenizadas 108 famílias que moravam na estrada da Estanave, no bairro Compensa, local onde começa o traçado da Ponte sobre o Rio Negro. O total de investimentos com as indenizações é de R$ 9, 7 milhões.

As indenizações são feitas com base nas tabelas nacionais que regem o preço da construção civil no Brasil. O trabalho de levantamento dos valores de todos os itens dos imóveis é feito pela equipe de engenharia da Suhab. A avaliação do imóvel é composta pelo valor do terreno (para quem possui documento da terra) e também pelas benfeitorias realizadas.

De acordo com o diretor-presidente da Suhab, Robson Roberto, as famílias estão sendo indenizadas a partir da necessidade de liberação da área para as obras. A primeira etapa do processo de desapropriação termina no dia 15 de julho. No total, serão pagos R$ 30 milhões em indenizações. No lado de Iranduba não será preciso fazer desapropriações, pois a área atingida é inabitada.

O projeto de construção da ponte terá dois trechos convencionais, localizados próximos às margens do Rio Negro, e dois trechos estaiados, ou seja, suspensos por cabos ou estais, localizados na parte central do rio, sustentados por uma torre central.
 
Sobre o Consórcio Rio Negro

A ponte é uma obra executada pelo Consórcio Rio Negro, formado pelas empresas Camargo Corrêa e Construbase.

A Camargo Corrêa é uma das maiores empresas de engenharia do país e acumula experiências em estudos e projetos de engenharia, consultoria e assessoria técnica. Ajudou a erguer grandes obras (metrôs, portos, aeroportos, rodovias, hidrelétricas, ferrovias e obras de saneamento básico e de desenvolvimento urbano) no Brasil e países da América Latina e da África.

A Construbase participou da construção da ponte estaiada sobre o Rio Guamá (Alça Viária), Belém – PA e da ponte estaiada Forte-Redinha, no Rio Grande do Norte.
 
 
DIMENSÕES DA PONTE

- Comprimento total da ponte: 3.600m;
- Comprimento trecho estaiado: 400 m;
- Plataforma de 22,60 m;
- Comprimento acesso da margem direita: 5.580 m;
- Comprimento acesso da margem esquerda: 1.940 m;
 
A seção transversal do trecho estaiado:
- Dois passeios para pedestres com largura livre de 1,50 m cada;
- Quatro faixas de 3,50 m (pistas carroçáveis);
- Duas faixas de segurança de 0,65 m cada.
 
NÚMEROS DA PONTE

Concreto Estrutural (m3) – 138.000 – equivalente a 25 prédios de 20 andares
Aço CA-50 (toneladas) – 12.300 – equivalente 20 balsas cheias de aço
Aço CP-190 RB (toneladas) – 1.630
Aço CP-172 RB (toneladas) – 570
Cimento – um milhão de sacas de cimento
Vigas Pré-moldadas  45 metros (peças) – 213
Pilares /apoios (unidades) – 72
Base de Solo-Areia-Seixo (m3) – 47.000
Revestimento Betuminoso (toneladas) – 72.000