Peixe ornamental de Barcelos pode ter selo de origem

O Conselho Estadual de Pesca e Aqüicultura (Conepa) decidiu criar um grupo de trabalho para iniciar o processo de aprovação do selo Identificação Geográfica (IG), emitido pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), para o peixe ornamental oriundo de Barcelos (a 405 km de Manaus). A decisão de levar a proposta aos órgãos competentes foi tomada na quinta-feira, 05, durante reunião extraordinária do conselho.

De acordo com o fiscal federal agropecuário Guilherme Pessoa, que levou a proposta ao Conepa, caso seja emitido, o selo de garantia para o peixe ornamental de Barcelos trará diversos benefícios para a região.

"Um produto que recebe essa certificação passa a ter maior qualificação e valorização porque agrega valor e potencializa a cadeia produtiva" explicou. "Os europeus chegam a pagar até 10% a mais por um produto com identificação geográfica. Seria importantíssimo para aumentar o valor das exportações", afirmou o fiscal.

Pessoa também ressalta que, enquanto na Europa há milhares de produtos com esse tipo de selo, no Brasil existem somente três: o vinho de Vale dos Vinhedos, a carne dos Pampas Gaúchos e a Cachaça de Paraty, no Estado de Minas Gerais. "O Brasil ainda não acordou para esse tipo de valorização do produto, mas nunca é tarde para começar, e este pode ser o primeiro produto do Amazonas a receber este selo", animou-se.

O grupo de trabalho será formado por oito entidades ligadas ao setor da pesca, dentre elas a Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror) e Mapa, a Secretaria Executiva Adjunta de Pesca e Aqüicultura (Sepa), o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Instituto Mamirauá e o Comitê Barcelos.

A partir da semana que vem, o grupo deve dar início ao processo de aprovação. Os componentes irão, inicialmente, estudar a região e os peixes que serão abrangidos pelo selo. A proposta deverá ser apresentada em uma próxima reunião do Conepa e posteriormente levada à apreciação do Mapa e do Instituto Nacional de Proteção Intelectual (INPI).